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Simit: inovação tecnológica deve interligar instituições ao setor produtivo

Publicado: Sexta, 09 de Novembro de 2018, 10h41

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Os Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs) das instituições públicas de ensino e pesquisa devem quebrar o paradigma da separação entre o mundo acadêmico e o setor produtivo. O recado foi dado pelo professor Charles Benigno, coordenador do NIT da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), na palestra de abertura do 3º Simpósio de Inovação Tecnológica (Simit) do Instituto Federal do Amapá (Ifap), aberto nesta quinta-feira (8/11), no auditório do campus Macapá, com participação de professores e técnicos da Reitoria e dos seis campi da instituição.

simit2018 22Para Charles Benigno, ao contrário dos outros países, no Brasil as universidades ainda não reconhecem que as empresas privadas devem ser aliadas nas inovações tecnológicas, pois somente através delas será possível transformar o conhecimento em benefícios à sociedade na forma de produtos usados no dia-a-dia. Ele afirmou que esse pensamento está nos próprios pesquisadores de quem ele ouve frequentemente as frases “não quero que isso vá para as empresas, quero levar a tecnologia para o cidadão”, porém, ressaltou o coordenador do NIT/Ufra, isso não é possível sem o processo produtivo.

“Há patentes registradas que não servem para nada, somente gastamos o dinheiro público em algo que não chega ao cidadão. É ótimo para o currículo lattes do pesquisador, só serve para vaidade”, criticou o palestrante, ressaltando que “nenhum país do mundo desenvolvido existe sem ter grandes empresas. Não existe desenvolvimento social se não incrementar a indústria e por isso não conseguiremos levar um benefício da inovação obtida nas universidades sem a participação das empresas porque essa inovação precisa passar pelo processo produtivo para chegar ao cidadão”.

Na palestra com tema “Gestão do conhecimento e inovação: um modelo para incrementar a capacidade inovadora na indústria”, Benigno fez questão de explicar os conceitos de descoberta, invenção e inovação, lembrando, que, ao contrário dos primeiros, que podem se resumir, não necessariamente, ao ambiente dos laboratórios, a inovação somente ocorre com a geração de novos produtos, processos ou metodologias que criam valor para a atividade econômica. “A base da inovação está na produção de conhecimento, mas estamos falhando nesse ponto. Temos produtos mas temos dificuldades na transformação desse conhecimento em tecnologia aplicável ao dia-a-dia”, afirmou.

O palestrante esclareceu ainda que a inovação pode ocorrer em dois graus – radical e incremental. As inovações incrementais são aquelas que promovem melhorias nos produtos que um dia foram inovações radicais e representam, atualmente, 77% das patentes nas indústrias. Charles Benigno deu como exemplo os motores de combustão interna, que deram origem aos carros automóveis modernos, em substituição aos que eram movidos por motores a vapor. Esses motores de combustão hoje estão muito mais avançados - em termos de potência, economia e fatores de sustentabilidade, entre outros aspectos - por conta de inovações incrementais. “Um dos princípios do NIT é separar as descobertas que podem se transformar em invenções e as invenções que podem se tornar produtos inovadores ou incrementar produtos já existentes”, destacou.

simit2018 9Capacitação - O Simpósio de Inovação Tecnológica chega à terceira edição com o objetivo de capacitar professores e técnicos do Ifap na promoção da pesquisa aplicada e da extensão tecnológica em todos os seus ambientes de atuação como prega o novo marco legal da ciência, tecnologia e inovação. “Por isso aqui temos servidores e estudantes, as equipes do nosso NIT e também dos departamentos de pesquisa e extensão dos campi, para que o Instituto se volte para a inovação tecnológica. Hoje já estamos com uma patente a ser registrada e queremos ter outras”, afirmou a pró-reitora de Pesquisa Pós-Graduação e Inovação, Layana Cardoso, na abertura do 3º Simit, na manhã de quinta-feira (8/11).

Promovido pelo Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT), ligado à Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (Propesq), e também pela Pró-Reitoria de Extensão (Proext), o 3º Simit teve ainda na programação as mesas-redondas ”Marco legal da inovação (Lei 13.243/16) – avanços e desafios das instituições de pesquisa inseridas na amazônia oriental” e “Desafios, dificuldades e estratégias do NIT na proteção da propriedade intelectual dos projetos de pesquisa e inovação do Ifap” e as palestras “Vivências e cautelas para a proteção da propriedade intelectual em um núcleo de inovação tecnológica emergente: o caso da Unifap (2016-2018)”, “Prospecção tecnológica, depósito e concessão de patentes: desvendando paradigmas” e “Cadastro SisGen: conscientização e importância do acesso ao patrimônio genético e do conhecimento tradicional associado”.

Também foram realizados os minicursos “O NIT como uma iniciativa de disrupção para a construção institucional no ambiente das instituições de pesquisa e ensino superior” e “A lei da biodiversidade e seus mecanismos de cadastro no SisGen”.

Além do professor Charles Benigno, da Ufra, o 3º Simit contou com participação dos palestrantes Daniel Santiago Chaves Ribeiro, coordenador regional Norte do Fortec e do Profnit com ponto focal na Universidade Federal do Amapá (Unifap), e José França Carvalho, pesquisador do Museu Paraense Emílio Goeldi.

 

Por Suely Leitão, jornalista da Reitoria

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